Uma das melhores coisas em ter trabalhado mais de cinco anos no Zap! (o suplemento jovem semanal do Estadão) foi conhecer lugares e pessoas que eu jamais cogitei conhecer. E, por outro lado, falar coisas para o público teen que raramente ele costuma ouvir. Quando os Backstreet Boys estavam pelo mundo dando entrevistas de divulgação, Howie D. veio a São Paulo e eu fui entrevista-lo. O texto, publicado em junho de 1998, fugia totalmente do tom apaixonado que fãs (e jornalistas) costumavam usar em situações como aquela. Fiz o texto coalhado de pequenas ironias, mas tratava o garoto com o maior respeito – até porque achei o cara bem gente boa mesmo. Não era um pilantra camuflado de artista, era um profissional do entretenimento. Como está lá no texto: normal.
Onde está Howie D, o backstreet boy fã de Jon Secada, cuja cor predileta é púrpura e que pensava em ser oficial de polícia na infância? Ah, lá está ele, sentado ao lado da piscina de uma cobertura paulistana, rodeado por tantos fotógrafos e equipamentos que mal se pode vê-lo. Sua passagem promocional pelo país está sendo bastante concorrida, já que o grupo de que faz parte há oito anos, o Backstreet Boys, transformou-se em um grande sucesso no Brasil a partir da inclusão da faixa “As Long As You Love Me” na novela Por Amor, da TV Globo.
As fãs aglomeradas na porta do hotel adoram os “garotos da rua de trás”, os roqueiros honestos os chamam de “Spice Girls de calças” ou “novos New Kids”, mas a verdade é que Howie é infinitamente mais articulado que a maior parte dos artistas populares brasileiros.
Diz que está surpreso com São Paulo, que nunca imaginou uma cidade tão grande e desenvolvida em um país como o Brasil. “Conheci um pouco da música pop local também”, ele conta. “Fernanda Abreu e Gabriel O Pensador são muito legais.” Ele está se enturmando, realmente – mas qual haveria sido sua primeira impressão do País? “Ah, foi muito positiva: todas aquelas fãs me esperando no aeroporto”, conta - num tom que não permite supor se está falando sério ou não.
Durante a entrevista, ninguém usou os termos “armação” ou “banda pré-fabricada” para se referir ao grupo. Claro, não faz muita diferença neste mundo mundano, já que muitos grupos de proveta entraram na história fazendo ótima música - Monkees, Sweet, Herman’s Hermits, Ronettes. Mas também porque eles contam uma história jeitosa sobre como o grupo começou, nos tempos de colégio. “Estudávamos eu, Nick e AJ em Orlando, na Flórida, e formamos um trio vocal, inspirado em bandas como Color Me Badd e Boyz II Men, para nos apresentarmos em festas, programas locais e coisas do tipo”, conta Howie. “Quando decidimos ampliar a formação, em 1994, chamamos Kevin e seu primo, Brian, e aí a banda virou um negócio realmente sério.” O primeiro single do grupo pela gravadora Jive Records foi Quit Playing Games (With My Heart), produzido pelo "time" sueco The Pop!, que também cuida do Ace of Base. “Acho que tivemos muita sorte de trabalharmos com um europeu, que ressaltou muitos pontos em nossa música que nós próprios não notávamos”, admite.
“Creio que essa é nossa grande diferença, a combinação dos grupos vocais americanos com os beats e a música pop dançante da Europa.” O grupo já vendeu mais de 20 milhões de discos em todo o mundo e seu sucesso aumenta velozmente em países da América Latina. O que é bastante curioso, visto que a música do BSB segue uma tradição americana forte, a dos grupos vocais descendentes do doo-wop. “Temos uma boa produção, um som agradável, boas canções, um ritmo legal, acho que isso é o que as pessoas gostam, em qualquer parte do mundo.”
História - Na verdade, o Backstreet Boys vem empacotado como um grupo vocal (na linhagem dos Temptations, Jackson 5), mas são mesmo um fenômeno adolescente cuja linhagem começa com os Monkees, inventados por um canal de TV americano para ocupar o filão teen abandonado pelos Beatles e Beach Boys, que rumavam em direção ao psicodelismo. Depois, nos anos 70, vieram bandas como os glitter-fofos do Bay City Rollers ou a Patridge Family (a Família Dó-Ré-Mi, no Brasil). E, de lá para os Menudos e New Kids on The Block, nada mudou. Não há muito o que temer, os BSB são um fenômeno da música pop assim como os tornados ou os relâmpagos são um fenômeno metereológico. Normal.
Os papéis são demarcados claramente. Se os New Kids tinham o Donnie, que gostava de rap malvado, falava palavrões e destruía hotéis, o Take That tinha Robbie Williams, que se envolveu com drogas pesadas, engordou e foi enxotado da banda. Os Backstreet Boys também funcionam assim. Nick é o “gatinho fofinho”, tem 18 anos e é loiro feito um Hanson. Brian é o feinho e responsável. Kevin é o mais musculoso e bem vestido. Howie é o robbie rosa de plantão, bronzeado e com um shape meio latino, cabendo para AJ o papel de rebelde. Mas não muito: ao contrário do outro fenômeno jovem do momento, as Spice Girls, os BSB são assexuados como manda a tradição americana, amam suas famílias e o sonho de Brian é levar seus pais para passar férias no Havaí.
Ao vivo – “Começamos a compor alguma coisa para nosso próximo disco”, conta Howie. “Naturalmente, as músicas serão mais pessoais, falando de coisas que nos interessam e usando sonoridades que nós assimilamos”, revela. “Temos uma mente bastante aberta e viajamos muito, adoramos conhecer as culturas locais e acho que pode ser uma boa idéia usar essas experiências no nosso som, como fez Michael Jackson em ‘They Don’t Care About Us’.” Howie promete para breve uma nova visita ao Brasil, desta vez para shows ao vivo. “Começaremos a turnê de Backstreet’s Back (o segundo disco da banda) no final do ano e certamente passaremos por aqui”, promete. “O público é muito legal e tenho certeza que os outros caras da banda vão gostar demais do Brasil.”
É isso aí, Howie, então a gente se vê no ano que vem, caso o fenômeno Backstreet Boys já não tenha passado, como aconteceu com todos os predecessores no gênero.
Depois de tanto tempo, os BSB conseguiram provar q não são boysband e sim talentosos de verdade!!!! Ainda os amo e muito, e saibam q pode ser q eles não sejam o sucesso q eram porém os verdadeiros fãs ainda permanecem...BACKSTREET BOYS FOREVER!!!
quase 12 anos disso, só provou que quem escreveu isso entende nada de música. 17 anos juntos, This is Us um dos CD mais baixados da net nos USA, falar o que né? BSB não é moda e nunca foi!