Faleceu ontem (23 de fevereiro), exatamente na data do virtual 72º aniversário de Wilson Simonal, o baixista Sabá, que tocou com o cantor como integrante do Jongo Trio (em 1965) e, especialmente, do Som Três (1966-1971).
Sabá nasceu em Belém do Pará em 1927 e já era um tarimbado músico da noite paulista quando o baterista Toninho Pinheiro o convidou para montar o Jongo Trio, talvez o trio de samba-jazz definitivo da década de 1960. O Jongo entrou para a história tanto com gravações próprias (“Menino das Laranjas”) como acompanhando cantores – notadamente a dupla Jair Rodrigues e Elis Regina, na época do best-seller 2 na Bossa. Quando Toninho e Sabá tocaram com Cesar Camargo Mariano no álbum Octeto de Cesar Camargo Mariano (que trazia “Barra Limpa”, que tempos depois viria a ser o tema de abertura do Show em Si...monal), os três decidiram reformar o Jongo Trio com o nome de Som Três.
O Som Três gravou cinco ótimos discos, combinando bossa nova, soul music e lounge, além de ter servido como grupo de apoio de Wilson Simonal nos palcos e em 7 álbuns, 15 singles e 12 EPs. Foi o período de maior sucesso de Simonal e uma época abençoada de clássicos, arranjados por Cesar Camargo Mariano e tocados com brilhantismo com Sabá e Toninho – ambos falecidos.
O Som Três acabou em 1971, quando Cesar Mariano se afastou de Simonal e iniciou parceria com Elis Regina. Reza a lenda que Cesar convidou os amigos para continuar o Som Três acompanhando Elis Regina, mas os dois, que já haviam suportado a Pimentinha em 1965, declinaram do convite. Preferiram acompanhar Dick Farney em uma série de excelentes discos, muito mais low-profile e jazzistas.
Sabá também tocou com outros gênios como Alaíde Costa, Elizeth Cardoso e muitos outros. No final dos anos 70, descobriu a vocação de radialista. Por muitos anos, apresentou o programa Clube da Música, na rádio Trianon de São Paulo. Curiosamente, um de seus últimos registros como baixista foi num reagrupado Jongo Trio, que participou de uma faixa do álbum Sambaland Club, Wilson Simoninha.
Sabá, que se chamava Sebastião Oliveira da Paz, morreu em decorrência do agravamento do Mal de Alzheimer. Lembrarei para sempre das três sessões de entrevistas com ele para meu livro “Nem vem que não tem – A vida e o veneno de Wilson Simonal”. Na última, conheci sua esposa, Ivone, e sua filha, Regina, ambas pessoas doces e encantadoras, por quem oro pelo acalmar dos corações.
Sabá será velado a partir das 6 da manhã de hoje, quarta-feira, 24/02. O enterro está programado para as 15h, no Cemitério do Araçá.