05.02.2010 às 11:59 - don't you, mr. Jones?
Nenhuma Bíblia
Dando uma pequena pausa na trip Simonal deste site, queria compartilhar com vocês um texto muito especial que tem voltado à minha mente com recorrência nos últimos dias. Ele responde a uma pergunta que sempre me fazem, sobre o que eu acho da Sônia e Estevam Hernandez, sobre os escândalos financeiros que os cercam, sobre o que eu penso desses líderes carismáticos, dessas igrejas neo-pentecostais que aparecem da noite para o dia, desses profetas televisivos etc.

Eu achava muita coisa sobre essa gente, mas hoje eu acho só o que está no texto logo abaixo: Cristianismo sem Bíblia, fé cristã sem respeito absoluto pela sabedoria bíblica, é um terreno fértil para o desenvolvimento de líderes carismáticos inescrupulosos e malucos de pedra. Os fiéis que escolhem esse caminho têm de estar preparado para os lunáticos, aproveitadores e, principalmente, para os lunáticos aproveitadores.

Tem outra: por ter trabalhado com música por tanto tempo, estou convencido que o ser humano não foi feito para ser adorado como um deus, do jeito que essas seitas centradas em pessoas exigem que seus líderes sejam. (Engraçado, falei isso para o Rogério Flausino do Jota Quest outro dia, sem saber que o irmão dele, o Sideral, havia se convertido ao cristianismo). Seja um astro do rock, uma atriz de novela ou um pastor, em meio à adulação de uns, o escárnio de outros e à egolatria, uma hora ou outra o ser humano "quebra" e passa a acreditar que é um deus.

Mas o "culto à personalidade", como dizem os americanos, é mais fácil de ser marketeado do que o Cristianismo bíblico, né? Lembro de quando eu e minha esposa passamos pelo stand da Igreja Renascer na última ExpoCristã. Ela virou-se para mim e disse: “se o nome de Jesus aparecesse com o mesmo destaque que essas fotos do Estevam e da Sônia, seria algo maravilhoso”. Acontece que o ser humano não quer Jesus, o ser humano quer líderes carismáticos com sorrisos photoshopados – e geralmente encontra gente inescrupulosa o suficiente para se oferecer a eles assim.

Lá em Jundiaí, por exemplo, tem um pastor que se auto-intitula o “Moisés” de sua igreja, afirma que abriu o Oceano Atlântico com um cajado, que Deus se refere a ele como “capitão” e que Deus lhe deu o direito de antever os nomes que estão no Livro da Vida. Um outro que eu conheci de perto admite que, embora sua vida esteja longe do “padrão bíblico para ser pastor”, não tem dúvida de que Deus o chamou para liderar pessoas. Bem, se você acredita que o que “Deus me revelou” está em pé de igualdade (ou mesmo à frente) da Bíblia, então, por coerência, você tem que acreditar em qualquer coisa mesmo.

Esse assunto me incomodava muito, até que eu li o texto abaixo, retirado de um boletim da Primeira Igreja Presbiteriana Independente de São Paulo. Agradeço até hoje a Deus por ele, por ter acalmado meu coração sobre essas profetadas de esquina que vemos hoje e sobre esse culto da personalidade que existe por aí. Basicamente, mostra que há um único jeito de enfrentar esse povo: com a Bíblia.

O texto chama-se “Nenhuma Bíblia” e foi escrito pelo Reverendo Valdinei Aparecido Ferreira no comecinho de 2008. Espero que abençoe sua vida como abençoou a minha:
James Warren Jones nasceu numa família pobre, num povoado rural em Lynn, Indiana, nos Estados Unidos. Desde cedo, revelou sua vocação religiosa. Em 1953, fundou sua igreja em Indianápolis. Destacou-se como líder religioso ao criar um centro para recuperação de dependentes químicos e ao defender a integração racial. O movimento pelos direitos civis demoraria ainda uma década para surgir no cenário nacional norte-americano.

A igreja fundada pelo jovem pastor de Indiana cresceu tanto que atraiu a atenção dos políticos. Contou, por exemplo, com o apoio do vice-presidente dos Estados Unidos, Walter Mondale. Quando a sua igreja decidiu adquirir 25 mil acres para um novo projeto, a esposa do então presidente Jimmy Carter, Rosalyn Carter, ofereceu-lhe carta de recomendação.

Na lista de doadores para o Templo do Povo – assim era chamada a sua igreja – apareciam alguns milionários da época.

No ano de 1978, o líder religioso James Warren Jones e sua igreja tornaram-se conhecidos mundialmente. A imprensa internacional, atônita, divulgava o maior suicídio coletivo da história, envolvendo 913 pessoas, sendo 275 crianças e 12 bebês. As pessoas, a começar pelas crianças, beberam uma mistura de suco de frutas, cianeto e analgésicos preparados pelo médico Lawrence Shact. Aqueles que se recusaram a beber foram mortos a tiros. Os poucos sobreviventes que conseguiram fugir narraram os horrores dos gritos e dos disparos. O fato ocorreu na Guiana e foi comandado por James Warren Jones, mais conhecido como Jim Jones.

Perguntamo-nos: como um movimento religioso, nascido dentro do universo evangélico, pôde tomar esse rumo? A resposta encontra-se na observação registrada por um dos guardas que vistoriou o acampamento após a tragédia. Esse policial observou que não havia nenhuma Bíblia na fazenda de Jim Jones. Na observação despretensiosa daquele policial encontramos uma chave importante para a explicação da tragédia: remova-se a Bíblia do centro da vida religiosa e a religião estará livre para descer aos abismos da perversão; remova-se a Bíblia do centro da vida religiosa e as pessoas estarão suscetíveis á manipulação dos “inspirados” de plantão. Por isso, o apóstolo Paulo, com veemência, proclamava: “Mas, ainda que nós ou mesmo um anjo vindo do céu vos pregue um evangelho que vá além do que vos temos pregado, que seja maldito” (Gálatas 1:8).

Rev. Valdinei Aparecido Ferreira, da Primeira Igreja Presbiteriana Independente de São Paulo

Comentários
09.02.2010 às 17:08 - Fabio Tadashi
Tá perdoado pela introdução maior que o texto. Até porque tem coisas na vida que merecem uma música de 3 minutos, enquanto outras vem em álbum duplo...
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