01.09.2010 às 13:34 - inha cerca passa rente
Calango - 15 Anos
Os amigos do Skank me convidaram para fazer o texto para o encarte da edição de 15 anos do meu disco favorito da banda, o Calango. Lembro bem quando escrevi sobre o disco, no comecinho da minha carreira, no Estadão. Foi um prazer olhar para o álbum depois desse tempo todo e ver como ele continua bom. Essa edição de 15 anos saiu em digipack, com demos e remixes como bônus e é altamente recomendável, se me permitem a auto-propaganda. O texto (que a própria banda publicou neste hot site é esse abaixo:
Eram quatro garotos em um estúdio com uma missão mais ou menos definida: estabelecer sua banda em um cenário em mutação profunda, como o da música jovem brasileira de 1994. “A gravadora não investe em você para ter um Skank, investe para ter uma Daniela Mercury”, dizia Samuel Rosa à revista Bizz. E a história do álbum Calango é a história de como esses quatro amigos mineiros começaram um ano como um bem-sucedido grupinho de dancehall de branco e o terminaram como um dos maiores fenômenos do pop nacional de todos os tempos.

Calango chegou às lojas em outubro de 1994, mas havia pelo menos um mês que sua versão para “É Proibido Fumar” bombava nas rádios de todo o país em um nível de rotação que o quarteto ainda não havia experimentado. Até então, apesar do sucesso razoável de músicas como “O Homem Q Sabia Demais” e “In(DIG)nação”, o Skank era visto mais com a simpatia geralmente dispensada aos grupos alternativos e já havia chegado ao ponto máximo que o circuito independente poderia oferecer. Faltava o “próximo passo”, e este veio por acaso, quando a gravadora Sony Music começou a montar um disco-tributo a Roberto Carlos produzido por Roberto Frejat. O barão convidou bandas e artistas de diversas fases do pop brasileiro, como Kid Abelha, Nação Zumbi, Lulu Santos e o próprio Barão Vermelho. Ao Skank coube “É Proibido Fumar”, lançada por Roberto em 1964. A idéia da gravadora era publicar o tributo Rei com grande estardalhaço, usando todo o seu potencial de marketing, e divulgá-lo a partir da regravação de “Se Você Pensa” de Lulu Santos.
Aconteceu que, nas vésperas do lançamento, a gravadora BMG vetou a participação de seu contratado Lulu. A Sony, ressabiada, optou por uma faixa de trabalho de uma banda da própria casa: o Skank. Espertamente, os mineiros somaram a verba de divulgação reservada para Rei com aquela prevista para seu segundo álbum, Calango.

Com uma dinheirama como nunca haviam visto, gravaram um videoclipe superproduzido que estourou na MTV e reverberou imediatamente nas FMs de todo o Brasil.

Resultado: quando Calango chegou às lojas, já era um dos discos mais aguardados daquele final de ano. E fez carreira com um rosário de sucessos que asseguraram a presença da banda na mídia até meados de 1996. Ao mesmo tempo, o disco ampliou a imagem do Skank até novos patamares. Primeiro porque o conectou ao que certa fatia da imprensa chamava na época de “MPopB”, uma música jovem legitimamente brasileira e sintonizada com o que se fazia pelo mundo. Eram “MPopB” tanto o hardcore com influência nordestina dos Raimundos quanto o mangue beat de Chico Science ou o heavy metal com batuques do Sepultura. Filtrado por essas lentes, o Skank se integrou perfeitamente àquela movimentação, com uma música de fortes tintas eletrônicas, influências britânico-jamaicanas, mas com os dois pés no folclore brasileiro: essa orientação está tanto no plantador de milho pai-de-oito de “Amolação”, na briga entre vizinhos em “A Cerca”, a defesa do caboclo brasileiro em “Pacato Cidadão” ou o funk lá no morro da Mangueira em “Jackie Tequila”. O próprio título do álbum, Calango, é uma citação a uma dança típica do norte de Minas, uma espécie de repente das Geraes que já havia sido experimentada pela banda numa versão de “O Homem Q Sabia Demais” e agora levada às últimas conseqüências em “A Cerca”.

Essas versões alternativas (como a própria “A Cerca” ganhou) são uma marca registrada do Skank desde sempre. Foi por causa de uma delas, por sinal, que o quarteto trabalhou pela primeira vez com o produtor Dudu Marote. O paulista era próximo da banda desde seu início e ganhou a missão de remixar “Baixada News” em 1993. Um ano depois, ele estava nos estúdios Nas Nuvens, no Rio de Janeiro, para cuidar das gravações de Calango. Dudu encontrou boa parte das demo-tapes do disco prontas (além do engenheiro de som mineiro Gauguin, que já havia trabalhado com o Skank em seu disco de estréia). Mesmo assim, teve tempo de contribuir para o estilhaçamento sonoro de Calango. Nas cinco ou seis semanas de estúdio, Dudu - um dos maiores especialistas brasileiros em música eletrônica - incluiu informações sonoras que tiraram definitivamente o Skank do gueto do reggae-dancehall do início e o colocaram como uma banda pop de horizontes ilimitados. Evidentemente, as batidas caribenhas continuam sendo o tom do disco (como o lover’s rock “Te Ver” ou o típico dancehall “Amolação”), mas já permitem vôos mais ousados que vão da jovem guarda ao drum’n’bass ou o bhangra indiano - vôos que seriam de fato empreendidos nos anos seguintes.
“homem-calango”, um personagem criado pelo ex-policial carioca Ilson Lorca, figura famosa nos carnavais de rua do Rio de Janeiro, que o Skank flagrou durante as transmissões dos jogos da Copa do Mundo de 1994. O “homem-calango” era a cara daquele momento de descoberta da própria brasilidade do pop-rock feito aqui, assim como o álbum Calango foi sua trilha sonora. Com uma bela ajuda do Plano Real, que injetou uma multidão de novos consumidores do mercado comprando seus primeiros CD-players, Calango vendeu 1 milhão e 200 mil exemplares e levou a banda a rivalizar com qualquer medalhão que, no início de carreira, pudesse servir de parâmetro para a aventura do Skank.

01.09.2010 às 11:20 - the turtle
"Nem vem que não tem" no Prêmio Jabuti!
Que honra!

Minha biografia do Simonal está entre os finalistas em sua categoria do principal prêmio de literatura do Brasil, o Jabuti!

Agora serão 30 dias angustiantes até a apuração pública dos votos, em 01 de outubro. Toda torcida será bem-vinda, bem como campanhas voluntárias

;-)

18.08.2010 às 08:29 - Época
Aprofundando a “nova reforma protestante”
Semana passada eu colaborei com a revista Época, edição nacional, com a reportagem de capa “A nova reforma protestante”. Foram nove meses para apurar, escrever, pautar fotos e editar sob condições de trabalho que raramente temos nessa profissão. Em termos de repercussão e alcance, talvez seja o trabalho mais importantes nos meus 17 anos de carreira. E também o que envolveu a maior quantidade de sentimentos e convicções pessoais e profissionais.

Evidentemente, apesar do espaço ocupado (nove páginas), a reportagem era só uma introdução a um tema sem fim, a saber: há uma movimentação entre igrejas e movimentos evangélicos que dialoga com o público mais esclarecido leitor da Época e que não só não se parece com o tipo de “gospel” que ele vê nas páginas policiais como o rechaça tanto quanto o nosso leitor. Que esse movimento, no fundo, é mais uma tentativa de recuperar a “igreja” a qual Jesus Cristo se referia em Mateus 16:18, daí o título – “nova reforma protestante”, sem pretensões de cunhar nenhum termo realmente. Para quem ainda não leu a reportagem, o link oficial é este aqui, mas um monte de gente reproduziu o texto na íntegra, como o Pavablog (Parte 1, Parte 2 e Parte 3).

Fiquei muito feliz e grato a Deus pela forma com que o espírito da reportagem foi bem compreendido. A própria página de comentários do site da Época se transformou em palco de discussões muito lúcidas e inteligentes. Confira aqui.

E achei muito bacana que o texto tenha dado origem a discussões importantes em outros fóruns. Abaixo, peço licença para fazer uma pequena lista dos que mais me chamaram a atenção:


» Augustus Nicodemus Lopes, a quem respeito e admiro enormemente, usou da reportagem para aprofundar a discussão sobre o liberalismo teológico em seu blog O Tempora! O Mores!

» Paulo Siqueira, do site As Pedras Clamam, fez uma excelente prospecção do texto à luz do pentecostalismo. Ele toca em um ponto para o qual eu nunca havia atentado: a falta de uma teologia pentecostal. Seu texto está aqui.

» Quem se interessa por design e jornalismo, eu recomendaria este post do blog Faz Caber explicando como a capa da revista foi concebida.

» Um das críticas mais comuns feitos pelos irmãos pentecostais é que eu teria pegado pesado demais em definir a visão neopentecostal do dízimo. No texto, eu disse que o discurso de igrejas adeptas da teologia da prosperidade é que a fidelidade do crente é usada pelo fiel na esperança de constranger Deus a resolver seus problemas pessoais. “Ninguém pode constranger a Deus!”, várias pessoas me escreveram dizendo. Bem, não fui eu quem disse isso, foi o Edir Macedo. Veja com seus próprios olhos: “Se nós fizermos nossa parte num pacto com Deus, passamos a ter o direito de cobrar dEle Suas Promessas. E Ele, por sua vez, fica obrigado a cumprir a parte dEle.”

» O bispo anglicano dom Robinson Cavalcanti escreveu uma carta muito interessante dizendo-se “deslocado” do contexto da reportagem. Ele tem razão: a versão original do texto, muito maior, tinha outras aspas do bispo em contextos mais adequados, como o papel da igreja protestante na política brasileira. Na edição final, ele acabou entrando em um contexto que pode sugerir que ele, que não tem nada a ver com todo aquele papo de “desinstitucionalização” estivesse contrariando seus princípios. Ele escreveu um comunicado no site da sua Diocese e nós o publicamos na última seção de Cartas da revista.

» Evidentemente, como bem notou o Caio Fábio, o texto não defende em nenhum momento o fim das denominações tradicionais ou a destruição das igrejas instituídas. Minha intenção era mostrar que alguns movimentos mais alternativos estão, pela primeira vez, sendo analisados com seriedade pelas igrejas históricas e muitas de suas lições estão sendo debatidas e, eventualmente, assimiladas. O pastor Miguel Uchoa, também da Diocese do Recife da Igreja Anglicana publicou um post muito interessante e equilibrado sobre isso.

» Bem, e falando em Caio Fábio, no vídeo abaixo, o pastor diz que a reportagem não tem nada de novo e mostra “todo o seu carinho” aos pastores entrevistados por mim. Você pode tirar suas próprias conclusões, mas não pode deixar comentários na página do Youtube:




» No dia seguinte, ele postou novo vídeo, talvez para se fazer entender melhor. Chamou todo mundo de “bundão” outra vez:




» Por último, gostaria de fazer um esclarecimento e uma correção. O esclarecimento é que, ao contrário do que o Caio sugere, eu não congrego em nenhuma das comunidades citadas na reportagem e nunca havia sequer conversado com nenhum dos pastores antes de começar a reportagem. Muito menos recebi a pauta por encomenda. Foi uma idéia minha que eu apresentei à Época no final do ano passado e que assumi com a condição de não ter data para entregar – e a própria pauta mudou algumas vezes durante a apuração, como deve ser durante um trabalho de apuração honesto. Desculpe se isso soa arrogante, mas eu jamais faria um trabalho nas condições de isenção e ética discutíveis como as que o reverendo sugere.

» A correção que eu gostaria de fazer já foi publicada na edição 639 que está nas bancas, mas vale aprofundar aqui: há um erro de informação histórica naquele quadro “Redenção e rupturas” que tenta explicar graficamente a história e os principais grupos cristãos. Fui frustrado na tentativa de sintetizar a frase original, que falava da conversão de Constantino e da oficialização do cristianismo como religião oficial do Império Romano, feita por Teodósio em 380 dC. O que Constantino fez, convertido ao cristianismo do jeito dele, foi garantir a liberdade religiosa e revogar o culto imperial como religião oficial. Evidentemente, ele lançou as bases de prática cristã que seriam oficializadas algumas décadas depois, mas a informação editada estava mesmo errada. Fui cortando e cortando até caber no lay-out e o texto ficou com o nome de um e a data do outro. Milhões de perdões e obrigado pelas dezenas de pessoas que escreveram notando o vacilo.

03.08.2010 às 10:20 - clássicos
O erudito
Essa eu achei em um CD com textos antigos e nem me lembrava de ter escrito. Era na época em que trabalhei na Som Livre, cuidando de um portal de música (conteúdo e comércio online) lá por 1998/1999. Fui convidado para cuidar dos textos dos encartes de alguns boxed-sets da Globodisk (lembra? aquelas caixas de CDs vendidas pela televisão?). O texto abaixo foi feito para uma caixa chamada "Bravo! Classical Music", que acabou não saindo. Quem manja de música erudita pode deixar comentário corrigindo os eventuais vacilos:
“Concerto de Brandengo Nº 3 Em Sol Maior” Johann Sebastian Bach

Aos 32 anos, Johann Sebastian Bach passou a trabalhar para o Príncipe Leopold de Coethen, como “maestro de capela” do palácio real, compondo e tocando para o nobre em ocasiões religiosas e seculares. Um dos maiores incentivadores da produção musical em toda Europa nesta época era o margrave de Brandenburgo, Christian Ludwig, que conheceu o compositor alemão em 1719. Três anos mais tarde, o nobre encomendou a Bach alguns trabalhos inéditos para que sua orquestra particular pudesse executar. Assim nasceram os seis concertos denominados “brandenburgueses”, uma das principais obras seculares do compositor barroco, entregues a Ludwig no dia 24 de março de 1721. O concerto Nº 3, o mais mitológico deles, foi escrito para instrumentos de cordas – e depois, reutilizado, em outra versão, na sua famosa “Cantata Para Domingo de Pentecostes”.


“Les Contes d’Hoffmann”, Jacques Offenbach

Descendente de família israelita, Jacob Eberst nasceu na cidade de Colônia, Alemanha, em 1819. O pequeno Jacob iniciou seu estudos de violoncelo aos 7 anos e, aos 14, mudou-se definitivamente para Paris, onde prosseguiu seus estudos de música no Conservatório municipal, gratuito. Farto de teoria musical, abandonou os estudos no ano seguinte, lançando-se por teatros e eventos populares, onde desenvolveu assombrosa técnica, autodidata, ao violoncelo. Fisicamente exótico e espiritualmente excêntrico e irônico, Offenbach foi um sucesso desde que compôs sua primeira opereta, Pepito, em 1853, sempre apostando no humor mordaz e na crítica social e política como diretrizes de seu trabalho. Foi o grande divulgador do can-can, um dos símbolos máximos da sociedade parisiense do final do Século 19. Depois de uma carreira consagrada popularmente – com operetas famosas como “La Périchole” e “Orphée Aux Enfers” – Offenbach decidiu, aos 61 anos, iniciar sua primeira ópera, “Les Contes d’Hoffmann”, inspirados nos contos de E. T. A. Hoffmann, uma deliciosa confusão de estilos e períodos, que incluía, em seu sugundo ato, a famosa “Bacarola”. No entanto, antes que concluísse sua ópera, Offenbach morreu, de um ataque cardíaco em outubro de 1880. O trabalho foi concluído por Ernest Guiraud, e encenado, com enorme sucesso, em fevereiro do ano seguinte.


“Concerto Grosso em Lá Menor, Opus 3” Antonio Vivaldi

Um dos mais notáveis compositores do período barroco, Antonio Lucio Vivaldi nasceu em Veneza, em 1678. Filho de um violinista da Orquestra da Capela de São Marcos, o pequeno Vivaldi já empunhava o instrumento aos dez anos de idade, quando passou a, eventualmente, substituir o pai em concertos. Em 1693, ingressou na carreira religiosa; se ordenaria padre dez anos depois, mas só celebrou missas por cerca de um ano. Foi afastado por seus superiores por dedicar-se muito mais à música que à sacristia. Reza a lenda que, durante uma missa, Vivaldi foi acometido de uma súbita inspiração musical; não teve dúvidas: abandonou o altar, correu à sacristia, anotou suas idéias e, só então, voltou ao púlpito, diante dos olhares perplexos da comunidade. Vivaldi foi poupado pela Inquisição, continuou trabalhando para a Igreja, lecionando violino no Seminário Musicale dell’Ospedale della Pietà, e compondo. Sua primeira ópera, “Ottone in Villa”, data de 1713. Aos 60 anos, ser convidado para participar das festividades do centenário do Teatro de Amsterdam, na Holanda. Lá ele apresentou, pela primeira vez o seu “Concerto Grosso Para Violino, Dois Oboés, Duas Trompas de Caça, Arcos e Tímpanos”, que arrancou mais aplausos do que o próprio concerto temático do evento. O “Concerto Grosso”, de 1738, foi um dos últimos trabalhos de Vivaldi. Vítima de conspirações dentro do próprio clero, o compositor viu sua reputação declinar rapidamente, até morrer em 1941, anônimo, e ser sepultado como indigente.


“Noturno Nº 2 em Mi Maior” Frédéric Chopin

Frederyk Fransciszek Chopin nasceu em 1810, na Polônia, e iniciou os estudos de piano aos 6 anos. Após atingir grande fama como concertista em seu país natal, Chopin fez sua primeira apresentação em Paris em 1832, com enorme êxito. Antes dos 25 anos, Chopin já era um ídolo da alta-sociedade parisiense, lecionando para os ricos e famosos da cidade, e levando uma vida de luxo. Na verdade, este compositor romântico se exilara na França assim que tomou conhecimento da tomada de seu país pelas tropas comunistas russas. No ano de seu primeiro concerto parisiense, Chopin conheceu o compositor irlandês John Field, o criador do gênero “Noturno” – de climas contemplativos e tristes, para piano. Em 1833, Chopin publicou seus próprios “Noturnos”, alguns deles tão sombrios que chegaram a ser descritos como “fantasias macabras” pelos editores de suas músicas. Seis anos, milhares de francos e vários amores depois, o músico foi diagnosticado tuberculoso, vindo falecer em 1849, aos 39 anos.


“Grande Valsa em Mi Bemol, Opus 18”, Frédéric Chopin

Quando, em 1832, mudou-se para a França, o polonês Frédéric Chopin (1810-1849) enfrentou grandes dificuldades financeiras. Apesar dos elogios de grandes nomes da música com Liszt e Hiller, Chopin ainda era um compositor iniciante. Como a Polônia estava sob cerco soviético, sua família não podia enviar constribuições ao exterior. Através de um antigo admirador, o Príncipe Radzwill, conheceu o Barão Rothschild que, fascinado com o talento de Chopin, incumbiu-se de arranjar-lhe alunos pela fábula de 20 francos por hora de aula. Em 1833, Chopin mudou-se para um amplo apartamento em Chaussée d’Antin e passou a desfrutar de uma vida luxuosa. Foi neste mesmo ano que ele compôs, entre outras peças, sua “Grande Valsa em Mi Bemol, Opus 18”.


“Sonho de Uma Noite de Verão Opus 61”, Mendelssohn

Costumeiramente comparado a Mozart (mais pelo fato de ambos serem garotos-prodígio do que por reais semelhanças estilísticas), Jacob Ludwig Felix Mendelssohn-Bartholdy nasceu em Hamburgo, Alemanha, em 1809. Ao contrário de Mozart, no entanto, Mendelssohn nasceu em família abastada, desde cedo freqüentando os melhores colégios e aprendendo música com os melhores professores. Logo aos 12 anos compôs sua primeira sonata para o piano, desde então influenciado pelo classicismo alemão de Bach. Como não dependia de sua música para manter-se financeiramente, cada peça composta era executada com cuidado milimétrico e perfeccionismo exacerbado. Aos 16 anos, passou dias nos jardins de sua mansão em Berlim lendo o clássico shakespeariano “Sonho de Uma Noite de Verão”. Num arroubo, iniciou a composição da versão musical da história, que concluiu depois de três meses, em agosto de 1826. Para sua estréia, contratou músicos profissionais e regeu a orquestra para uma platéia de familiares e amigos, nos jardins de sua mansão. No ano seguinte, “Sonho de Uma Noite de Verão” ultrapassou os muros de sua residência e foi apresentado ao mundo, estabelecendo o adolescente Mendelssohn como um dos principais compositores alemães de sua época.


“Suíte do Bailado ‘A Bela Adormecida’, Opus 66” Pyotr Ilytch Tchaikovski

Filho de um engenheiro metalúrgico, Pyotr Ilytch Tchaikovski nasceu em 1840 na cidade de Votkinsk, na Rússia. Apesar de demonstrar virtuosismo ao piano desde a infância (e ser incentivado pelos pais à música), Pyotr Ilytch foi matriculado na Escola de Jurisprudência aos dez anos, a fim de se preparar para a Faculdade de Direito. Àquelas alturas, a família Tchaicowski já morava em Moscou e, aos 19 anos, Pyotr trabalhava como escriturário no Ministério da Justiça. Relapso e descuidado, o funcionário-público/pianista durou penosos e enfadonhos quatro anos em seu cargo, até abandonar a segurança da vida pública pelas desventuras do mundo da música. Conhecia pouco de música erudita, de forma que, assim que matriculou-se no Conservatório de São Petesburgo, passou a arquitetar uma insuspeita fusão entre o romantismo do alemão Schumann com temas tradicionais russos. Compunha apenas pequenas peças, neste estilo, até que enfrentou o desafio de produzir seu primeiro concerto, “Sonhos de Inverno”, em 1865, com grande sucesso. Quando “A Bela Adormecida” estreou, em 1890, o público já estava se acostumando com as inovações musicais que Tchaikowsky estava imprimindo ao balé. Embora ainda dividisse opiniões, a recepeção já foi bem mais calorosa do que a de “O Lago dos Cisnes”, apresentado pela primeira vez em 1877. Ambos os balés foram inspirados em contos de fadas.


“O Quebra-Nozes, Opus 71”, Pyotr Ilytch Tchaikovski

O russo Pyotr Ilych Tchaikovsky (1840-1893) era um polivalente: escrevia, com o mesmo desembaraço, curtas peças baseadas em temas folclóricos, óperas e sinfonias. Em sua carreira, compôs para três bailados, que acabaram tornando-se ícones culturais: “O Lago dos Cisnes”, “A Bela Adormecida” e “O Quebra-Nozes”. Este último é um clássico do balé romântico, e tornou-se parte das comemorações de Natal de todo o mundo. A peça conta a história de uma garotinha, Clara, que, no Natal, ganha um quebra-nozes em forma de soldado com poderes mágicos. Tchaikovsky compôs “O Quebra-Nozes” entre 1891 e 1892, sendo este o último de seus três trabalhos para balés – e, curiosamente, o que menos inspirava orgulho no próprio compositor.

“Canções Para Voz e Piano, Opus 6”, Tchaikovsky
Quando Tchaikovsky escreveu suas seu Opus 6 – canções para voz e piano, na melhor tradição da canção romântica – era 1869, fase de mudanças para o compositor. Estabelecido como maestro no Conservatório de Moscou e experimentando tanto sucessos retumbantes quando frias recepções, Tchaikovsky começaria a se interessar pela revolução musical do chamado “Grupo dos Cinco” (Rimsky-Korsakov, Moussorgsky, Cui, Borodine e Balakirev – que tentava revolucinar a música russa à partir de seu enraizamento na cultura local, livrando-a de estrangeirismo. No entanto, desgostou da postura radical do quinteto e, com exceção de Korsakov, que admirava, considerou os revolucionários “amadores”.

“Valsa de Mephisto Nº 1”, Franz Liszt
Provavelmente um dos maiores pianistas do Século 19 e certamente um dos mais espalhafatosos personagens de todo o período Romântico, Franz Liszt nasceu na Hungría, em 1811. Foi o protótipo do personagem do “astro pop”, que se conheceria um século depois – com suas polêmicas, sua popularidade e sua ótima fama entre as mulheres. A fama de seus concertos, em que Liszt lia bilhetes da platéia, contava piadas e atendia a pedidos da audiência, corria por toda a Europa. Seus casos amorosos (entre eles, com a esposa do Conde d’Agoult, de Paris ou a Condessa Olga Janina, da Rússia), também. Desde a adolescência, se interessou em temas místicos, obsecado que era pelo livro “Imitação de Cristo”, do monge Kempis. Desta forma, já adulto, passou a compor muitas peças baseadas em coiasas como a Missa dos Mortos da Igreja Católica, ou o famoso “Fausto”, de Lenau, sobre um homem que troca sua alma pela juventude eterna. Um dos dois episódios orquestrais de sua Sinfonia de Fausto, escrita em 1853, era a “Valsa de Mephisto”. Como tantos astros do rock dos dias modernos, desiludidos com a fama, Liszt, aos 53 anos, iniciou os preparativos para tornar-se abade. E assim o fez, passando a dedicar-se apenas a peças sacras e a vida religiosa, embora continuasse excursionando com sucesso, até morrer, em 1886.

“Liebesträum Nº1 Para Piano, S541/1 ‘Hohe Liebe’”, Liszt
Nascido Ferenc Liszt, este romeno de Raiding deu seu primeiro recital aos 9 anos, na cidade de Oedenburgo, e não parou mais. Aos quinze anos, já era um pianista de renome nacional, autor de algumas operetas. Estudante ferrenho do piano, aos vinte anos, fascinado com uma apresentação do virtuoso violinista Paganini, dedicou-se meses a compor uma peça que reproduzisse os efeitos do italiano, no piano. E o fez, nos “Estudos de Paganini” de 1838. O violinista também o influenciaria no uso da dramaticidade cênica de seus espetáculos. Meses depois, Liszt encarou o desafio, aparentemente irrealizável, de transpor para um único instrumento, o piano, toda a gama de climas e detalhes da “Sinfonia Fantástica”, que Berlioz concebeu para uma orquestra de cem peças. Não à toa, Liszt tornou-se conhecido como o melhor pianista de toda a Europa, e um revolucionário nas composições para o instrumento. Em 1850, quando resideia em Weimar, compôs sua famosa peça “Liebesträum”, quando ainda nutria paixão pela Princesa Carolina Sayn-Wittgenstein – foi a impossibilidade de seguir com este romance que levou Liszt a tornar-se abade.

“Coppélia”, Léo Delibes
O francês Léo Delibes (1836-1891) é considerado o grande revolucionário da música para balé no Século 19. Ele começou sua carreira em 1853 (após estudar no Conservatório de Paris com o compositor Adolphe Adam), quando ingressou no Théâtre-Lyrique, primeiro como músico e, depois, também como compositor. Em 1866, sua fama cresceria consideravelmente ao trabalhar com Ludwig Minkus no La Source. Quatro anos depois, ele alçaria vôos mais ambiciosos, quando começou a adaptar para o balé o conto de E.T.A. Hoffmann, “Coppélia”, que exerceria influencia vital sobre os trabalhos de Tchaikovsky e Offenbach. Originalmente chamada de “Coppélia, A Garota Com Olhos de Esmalte”, a peça conta a história de uma boneca, bailarina, que ganha vida, um tema que se tornaria usual dali para frente.

“Romance Nº2 em Fá Maior para Violino e Orquestra, Opus 50” Beethoven
Graças à vida e a obra de Ludwig Van Beethoven (1770-1827), o Período Romântico da música é emblematizado por personagens solitários, tristes e amargurados, a quem só restava o conforto da música. Beethoven era assim. Desde a infância, vivida em Bonn, na Alemanha, quando o pai o obrigava a exaustivos estúdos de violino e cravo, o humilhando e castigando um sem número de vezes. Através de um professor, Ludwig conseguiu um trabalho como cravista da corte do Príncipe Eleitor, aos 13 anos. No mesmo ano, compôs sua primeira obra, “Nove Variações Para Piano Sobre uma Marcha de Errnst Christoph Dressler”, recebendo elogios rasgados da crítica especializada. Poucos anos depois, Beethoven era uma unanimidade entre os nobres da corte, graças a seu talento ao cravo, órgão, violino e viola e sua imaginação em improvisos. Em 1792, após a morte da mãe, Beethoven deixou Bonn em direção a Viena, onde estudou com Haydn, e onde seu talento seria reconhecido, a partir de 1795, quando realizou seu primeiro concerto. Três anos depois, iniciou-se no compositor processo irreversível de surdez. “Romance Nº2 em Fá Maior Para Violino e Orquestra” foi composta em 1798, ano considerado capital na evolução musical do compositor, quando ele passou de uma promessa para um gênio reconhecido. Com a surdez total, Beethoven, já arredio e tímido, passou a evitar cada vez mais o convívio social. Morreu em 1827, de cirrose no fígado, sem jamais haver se casado, sem jamais haver conhecido a felicidade além da proporcionada por sua música.

“Don Giovanni IK 527: Minuetto” Mozart
Nascido em Salzburg, Áustria, Joannes Chrysostomus Wolfgangus Theophilus Mozart (1756-1791) foi um garoto prodígio cuja fama se espalhava pela Europa antes que completasse dez anos de idade. Um dos países que o melhor acolheu em suas excursões infanto-juvenis foi a Itália, onde esteve pela primeira vez em 1770, alcançando tamanho sucesso que foi eleito Mestre de Capela Honorário da Academia Musical de Verona. Durante sua vida, Mozart compôs três óperas em italiano, com letras do abade Lorenzo da Ponte. A mais famosa dela é, talvez, Don Giovanni, de 1787, que relata os dias finais do conquistador Giovanni Casanova, uma versão italiana de “Don Juan”, às voltas com seus amores do passado. Equilibrando-se entre o cômico e o dramático, “Don Giovanni” é até hoje uma das obras mais conhecidas de Mozart. Após a morte precoce do compositor, aos 35 anos, sua obra foi catalogada pelo musicólogo Ludwig Koechel, no famoso Índice Koechel – vindo daí as anotações IK em todas as suas composições, ao invés do tradicional “Opus”.

“Divertimento Nº15 em Si Maior, IK 287”, Mozart
Mozart é um dos personagens mais mitológicos do Período Clássico, por seu comportamento rebelde (que o fez optar pelo “freelancer”, sem se vincular a reis ou cortes – sem um salário fixo, portanto), mas principalmente por haver alcançado enorme sucesso durante sua infância e adolescência. Mozart tocava cravo com virtuosismo desde os quatro anos e compôs sua primeira obra, o “Minueto e Trio em Sol Maior, Para Cravo” aos cinco. Seu pai, um violinista de talento, mas profissionalmente frustrado, empresariava o pequeno Wolfgangus e sua irmã Marianne, vendendo seus shows como se fossem demonstrações de exibicionismo, com direito à adivinhações de acordes, solos em tonalidades vertiginosas, etc. Joannes Chrysostomus Wolfgangus Theophilus Mozart tomou as rédeas de sua carreira por volta dos 20 anos, quando passou a assinar simplesmente como Wolfgang Amadeus Mozart. Já acumulava uma obra vasta, mas sua carreira entrava em declínio profissional. Músicos sem emprego fixo não eram bem vistos em muitos lugares e a reputação de garoto-prodígio não poderia ser mantida mesmo na idade adulta. Mozart compôs este “Divertimento Nº15 em Si Maior” aos 21 anos, na mesma época que ele descobria as possibilidades de sustentação dos pedais do piano Stein, e abandonava seu instrumento original, o cravo.

“Méditation, de Thaïs”, Jules Massanet
Mais um caso de talento precocemente amadurecido, Jules Massanet (1842-1912) foi aceito pelo Conservatório de Paris aos 11 anos. Aos 21 anos, ganhou uma bolsa de estudos e continuou seus estudos de composição na Itália. A obra que Massanet passou a construir chamava a atenção de crítica e público por desprezar o virtuosismo e a grandiloqüência harmônica de seus pares e privilegiar o sentimentalismo e a naturalidade da música. As peças mais características de Massanet são as óperas compostas em parceria com o poeta Pauline Viardot, geralmente sobre temas bíblicos e/ou personagens femininas. Sua ópera mais famosa, apesar de retratar uma mulher, teve o libreto escrito por Louis Gallet, e é ambientado no Egito. Thaïs foi encenada pela primeira vez em março de 1894 e trata do encantamento do monje Athanaël pela cortesã egípcia Thaïs. Confuso em seus sentimentos, ele acaba convertendo sua musa ao cristianismo e a levando a um monastério, sem confessar seu amor carnal por ela. A ópera traz um bailado em seu segundo ato – e o famoso solo de violino “Méditation”, aparece pela primeira vez na peça como um interlúdio para ele.

“Peça Lírica, Opus 54”, Grieg
Um dos mais célebres compositores noruegueses, Edvard Grieg nasceu na cidade portuária de Bergen, em 1843. Descendente de irlandeses, Grieg cresceu em uma família abastada, que lhe permitiu estudar piano com afinco desde a infância. Inicialmente influenciado por Chopin, Weber e Mozart, Grieg compunha ocasional e sigilosamente, mesmo quando estudava no Conservatório de Leipzig (fundado por Mendelssohn). Foi só quando mudou-se para openhague, em 1863, que ele descobriu sua vocação para renovar a música norueguesa, formando um pequeno grupo de jovens artistas vanguardistas que ficou conhecido como Sociedade Euterpe. Assim, desde que publicou sua “Sonata Para Piano em Mi Menor”, em 1865, Grieg já definiria seu estilo com o que viria a ser chamado de Romantismo Nacionalista. À partir de meados da década de 1880, o governo norueguês decidiu presentear o compositor com uma pensão vitalícia, de forma que Grieg decidiu mudar-se para uma pequena cidade no litoral, onde compôs muitas de seus principais trabalhos, como os cinco livros de suas “Peças Líricas”. O último deles foi composto em 1891, quando Grieg vivia em uma grande residência à beira-mar em Troldhaugen. Seis anos depois, aos 64, Grieg morreria, durante o sono. Uma multidão de 40 mil noruegueses acompanharam o cortejo fúnebre de seu compositor mais célebre.

“Peer Gynt, Suíte Nº1, Opus 46”, Grieg
Durente toda sua vida, Edvard Grieg (1843-1903) procurou conciliar as obrigações do estrelato com as ambições simples de uma vida pacata, nas redondesas da cidade em que nasceu, Bergen. Mesmo depois da consagração nacional (e continental), com “Peer Gynt”, o compositor continuou fiel às suas raízes, estabelecendo-se numa casa à beira mar em Troldhaugen, à poucos quilômetros de Bergen. Foi pouco antes de abandonar definitivamente a vida na cidade grande (na fase de construção de sua reputação, Grieg residiu em Cristiânia, atual Oslo, regendo a Sinfônica local) que o dragmaturgo Henryk Ibsen solicitou ao músico a “vestimenta musical” para seu texto, sobre um camponês que sonha em se tornar imperador. Mesmo indisposto e contrariado (pela petulância do teatrólogo ao impor-lhe vários detalhes a serem seguidos cuidadosamente), Grieg aceitou o desafio. A peça estreou em fevereiro de 1876, com sucesso indescritível, a ponto de os temas musicais tornarem-se canções populares entre o povo, na rua. O sucesso se espalhou por toda Europa e chegou até a América – embora Grieg desdenhasse do sucesso, considerando o trabalho feito por encomenda, “insuportável” e “intragável”, “música artificial e postiça”. Como uma espécie de “vingança”, Grieg remanejou toda a música incidental, criando duas suítes independentes, fugindo da ordem da narrativa da ópera: “Opus 46” e “Opus 55”, que executava em seus concertos, costumeiramente, com enorme sucesso.

“Sinfonia Nº9 em Mi Menor – Do Mundo Novo, Opus 95, B178”, Dvorák
Durante o período romântico, não houve compositor mais célebre na antiga Tcheco-Eslováquia que Antonin Dvorák (1841-1904). Famoso por suas sinfonias, Dvorak desenvolveu sua arte em diversos gêneros, sempre procurando mesclar ao romantismo tradicional influências da música tradicional de sua terra. Os especialistas divergem sobre qual das três últimas sinfonias de Dvorak represente seu ápice criativo, mas o grande público fez sua escolha desde sempre. Esta “Sinfonia Nº9 em Mi Menor”, famosa em todo o mundo, foi composta quando Dvorak lecionava nos Estados Unidos (daí seu título, “do mundo novo”) e foi apresentada pela primeira vez em 1893, revelando a sofisticada fusão entre a música tcheca e influências da música folclórica americana.

“Pavane Pour Une Infante Défunte, Para Piano”, Ravel
Indo na contramão da tendência musical da virada do Século 19/20 (o impressionismo), o francês Maurice Ravel (1875-1937) promoveu uma sobrevida do Romantismo através da riquesa harmônica, melódica e tonal de seu trabalho. Uma das composições mais famosas do artista é “Pavane Pour Une Infante Défunte, Para Piano”, composta em 1899, para piano, ainda que sua versão orquestral tenha se tornado muito mais célebre com o passar dos anos. O ritmo da composição é o “pavane”, uma dança popular no período barroco e, como o próprio Ravel fazia questão de notar, sua temática é a recordação dos anos de infância – e não um memorial de alguma criança morta, como a tradução do título poderia fazer crer.

“Cavalleria Rusticana”, Mascagni
Provavelmente o trabalho mais conhecido do italiano Pietro Mascagni (1863-1945), a “Cavalleria Rusticana” foi, curiosamente, escrita para ser enviada a um concurso de óperas de um único ato. Mascagni escreveu a peça em 1890 e, descrente de seu potencial, arquivou sua partitura. Sua esposa, sem o conhecimento do compositor, enviou a composição ao concurso e Mascagni acabou ganhando o primeiro prêmio. Apesar de ser um legítima peça do pós-romantismo italiano, “Cavalleria Rusticana” transpira a despretensão com que foi composta. O título, irônico, faz menção ao “cavalheirismo rústico” de um infiel conquistador, Turiddu, às voltas com um triângulo amoroso completado por uma ingênua garota e uma mulher casada.

“Concerto de Aranjuez, Para Violão e Orquestra”, Joaquín Rodrigo
Considerado o mais importante compositor espanhol do período moderno, Joaquín Rodrigo nasceu na cidade de Sagunto, em 1901. Cego desde os três anos de idade, Rodrigo partiu do estilo neoclássico para experiências com a música flamenca e sons típicos da espanha, em dezenas de concertos, canções e peças compostas para vários instrumentos. Já era um compositor de sucesso quando mudou-se para Paris para estudar, ostensivamente, musicologia. Em 1939 (ano que coincide com o fim da guerra civil espanhola), Rodrigo retornou à Madrid, onde estreou “Concerto de Aranjuez, Para Violão e Orquestra”, a peça mais famosa para de seu repertório e, talvez, de todo a história de concertos para o violão. A mitologia em torno de “Corcerto Para Aranjuez” cresceu quando da gravação de Miles Davis em seu disco “Sketches of Spain”. Joquín Rodrigo viveu em Madrid até sua morte, em 1999.

“Margarete: Faust-Waltzer”, Charles Gounod
Nascido em 1818, em Paris, o compositor romântico Charles Gounod aprendeu piano ainda na infância, com sua mãe. Antes de começar a compor, influenciado principalmente por Schumann e Berlioz, ainda estudou no Conservatório de Paris. No final da década de 30, Gounoud mudou-se para Itália, onde ganhou vários prêmios como compositor, só voltando a sua terra natal quando assumiu um trabalho como organista e iniciou seus estudos de Teologia – e passou a compor apenas temas litúrgicos. Sua primeira ópera foi apresentada em 1851, sem grande sucesso de público. O compositor ainda esperaria oito anos até que seu trabalho fosse reconhecido, com sua adaptação de “Fausto”, até hoje seu trabalho mais conhecido. Gounod morreu em 1893.

“In A Persian Market”, Ketèlbey
Albert W. Ketèlbey (1875-1959) foi um dos principais compositores e pianistas eruditos britânicos da primeira metade do Século 20. Filho de um professor de artes, desde a infância ele demonstrou tendências musicais, fazendo parte do coral da Igreja de São Silas. Aos 11 anos, compôs sua primeira peça, uma “Sonata Para Pianoforte”. Mais tarde, matriculado no Trinity College of Music, ele passou a compor regularmente, especialmente para quintetos de cordas. No entanto, seus trabalhos mais marcantes foram experiências descritivas, como “In a Monastery Garden”, “In A Chinese Temple Garden” e, principalmente, “In A Persian Market for Chorus & Orchestra”, uma composição para coral, de 1915, considerada sua obra-prima. Albert W. Ketèlbey teve uma bem sucedida carreira como pianista, compositor e maestro, vindo a valecer no final do ano de 1959, na Ilha de Wight, Inglaterra, aos 84 anos.

30.07.2010 às 10:28 - I-tube
Coffee Break #12
Continuando a publicação das minhas obras completas como animador de auditório vazio, eis é o 12o. episódio do quadro "Coffee Break" do Jornal Ideal. Naquela semana, eu falei de John Fogerty, "Persépolis Completo", sobre "Onde os Fracos Não Têm Vez" e sobre o DVD "Pixar Short Films Collection". A respeito desse último, aproveito para uma correção: eu fiz uma confusão com títulos originais, personagens traduzidos e curta-metragens e apresentei o filme "Luxo Jr." (1986) como "Mate e a Luz Fantasma" (2006). E errei de novo, porque "Mate and the Ghost Light" foi lançado no Brasil como "Tom Mate e a Luz Fantasma". Foi mal aê.
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